Certas coisas vão acontecendo, historias vão se ligando, pensamentos surgindo e palavras aparecendo, tudo vem chegando de forma a mostrar um único caminho a seguir.
Sem muito que dizer, não é momento de palavras, agora talvez, elas sejam um erro, é hora apenas de seguir no silencioso caminho de vida, caminho solitário que só você pode seguir pro si próprio, e lá vou eu. Andando...
Bom... Vou colocar mais uma parte, a seqüência, da historia de ontem...
Chegou no quarto de sua filha com o sorriso doce que sempre tivera, era impossível para ela não sorrir para a filha que tanto amava.
- Bom amanha vamos começar mais uma etapa do tratamento. - dizia gentil, mas por dentro era todo pesar - Então que tal darmos agora uma volta no jardim? Ver alguns pássaros? - talvez fosse aquele o ultimo passeio que pudesse dar a filha.
Saiu empurrando a cadeira de rodas pelo jardim do hospital, a luz, o dia ensolarados, as cores fortes das flores, das folhas, do céu contrastando com a pele frágil e pálida da menina na cadeira de rodas com os cabelos curtos que saia para observar e tomar um pouco de ar.
Enquanto era empurrada, sentia uma leve brisa fresca passar por si. Lembrava-se de quando corria e sentia o vento passar e brincava ser um passaro. Hoje estava ali, sentada, presa a cadeira, presa a seu quarto de hospital, como passaro em gaiola. Quis chorar, mas se segurou.
Pássaros no céu voando em pares, em rodopios, tiraram sua atenção de sua dor por alguns instantes.
Aquele pequeno passeio havia lhe feito bem ao espírito, mas lhe deixara cansada, já estava no quarto, via sonolentamente o entardecer pela janela, com as pálpebras pesadas, observava os laranjas celestes do final de tarde, quando por milésimos de segundos teve a impressão de ver um lindo passaro em doirados tons passar voando, um passaro pequeno, mas com uma única pluma na cauda, uma pluma tão grande quanto uma pluma da cauda de um pavão em todo seu esplendor. Assustou-se com o que vira, e logo achou que fosse um sonho, estava sonolenta no momento e aquele passaro ia além da existência real, um passaro que só seria possível nas lendas e em seus sonhos. Uma lagrima escorreu:
- E mesmo na triste realidade o sonho ainda vem, esperança, amanhã quem sabe é o primeiro dia da minha cura.
A manhã tinha sido intensa e cansativa e dolorosa, mas de certa forma, já havia se acostumado com aquela rotina, já sabia, das dores, das náuseas, dos enjôos, a futura queda do cabelo que mal tinham começado a crescer, mas tentava resistir como podia.
Descansava naquela tarde em seu quarto, observando os corredores e o passar das enfermeiras, esperava sua mãe voltar quando surge no quarto um jovem loiro. Não era a beleza em pessoa, mas tinha feições simpáticas e harmônicas e um corpo normal para sua idade, estatura mediana, um andar bastante engraçado e delicado, cabelos que caiam aos ombros em cachos loiros, e olhos cor de mel que faziam prender toda a atenção. Ele adentrou o quarto timidamente olhando para tudo como se procurasse algo.
Olhou confuso para a garota, e levantou sua voz, uma voz aguda para um jovem da sua idade, mas calma e embalada:
- É... Aqui não é o quarto 131, né? - percebia a confusão na sua face.
- Sim.
(Continua...)
Existe justiça? Justiça que saiba pesar o passado e o presente? Justiça que saiba pesar os sentimentos e os pensamentos? Não! Existe justiça de verdade? Não! Existe um esboço humano de uma talvez justiça.
Não existe justiça pois não existe verdade nem realidade. Tudo é ponto de vista, tudo é real e imaginário ao mesmo tempo, tudo varia de quem é o observador e onde ele está.
T+
Se cuidem todos
Adoro vocês
=*
Sem ter muito tempo para fazer qual quer coisa, além das coisas da facul... ler livros, textos, pilhas de xerox, trabalhos, resenhas, treinamentos...
E a internet, os amigos, o blog, estão ficando um pouco de lado, falta de tempo é fogo...
E estar sem internet também ajuda nesse afastamento... aff
Passando no blog para soprar um pouco da poeira que vem se acumulando aqui...
Vou colocar lago que tenho escrito... uma pequena diversão minhas das ultimas noites de insônia... Espero que gostem...
Sentada no quarto do hospital, sob a suavidade da luz da manhã que entrava pela janela junto a um vento refrescante, estava uma garota, pálida, mas a pela começava a ganhar já tons de saúde, com cabelos bem curtos, mostrando que fazia pouco tempo que começaram a crescer. Dobrava pequenos pedaços de papeis quadrados e coloridos em pássaros, há vários dias vinha fazendo isso e continuava sem para, mergulhada nos seus pensamentos:
- Desde criança, eu sempre amei os pássaros, sempre pedia livros sobre eles, adorava ir ao parque para claro brincar com as crianças, mas também para ver os pássaros que voavam por lá, flutuando levemente sobre os céus. Eu brincava que era um deles, corria de braços abertos sentindo o vento passar por mim enquanto imaginava estar voando. - pensava e dizia a si mesma sem para de dobrar os papeis mesmo com o soro ainda preso pela agulha no braço, que lhe incomodava um pouco, continuava a dobrar, sem se importar - Eu amava os pássaros, imaginava estar voando entre eles, sempre os alimentava na praça, sempre queria saber tudo sobre eles, e sempre ia a biblioteca a procura de mais e mais livros sobre eles. Eu conhecia suas historias, seus nomes, seus costumes, suas rotinas, suas rotas de migração, e principalmente suas lendas. Passava horas sonhando como seriam os pássaros lendários, e como seria bom se eles existissem, com suas peculiaridades, seus poderes, suas magias, suas cores. - continuava em sua viagem mental e as mãos num trabalho maquinal de dobrar - Houve um tempo em que achei que tudo não passasse de sonhos. As belezas dos sonhos se quebram tão facilmente quando a tragédia do real nos assola... Quanto tempo eu ainda teria? uma das perguntas do real que tanto me preocupavam... Mas hoje, ainda acredito nos sonhos, nas magias dos pássaros.
E dobrava, e dobrava, sem fim. E papeis planos e quadrados tomavam formas tridimensionais de pássaros. Enormes revoadas, todos iguais na forma. Vários. E ela dobrava mais e mais...
Meses antes, naquele mesmo hospital, nos corredores próximos a sala de espera, doutor e uma mulher aparentando quarenta anos conversavam.
- Doutor, o que vai acontecer? O que se pode fazer? - perguntava fortemente uma mãe, se na voz e na face mantinha a força dos leões, por dentro a alma chorava em desespero.
- Infelizmente, apenas esperamos que a nova quimioterapia que será iniciada amanhã de resultados, apesar de haver grandes ricos dela não suportar, o corpo já esta muito debilitado e enfraquecido pela doença e pelo próprio tratamento - já dizia o medico com um certo peso e cansaço nos olhos - é o ultimo recurso que temos. Para muitos médicos e entidades ela já estaria fora das possibilidades terapêuticas.
- Quais são as chances doutor de tudo dar certo? - a expressão de força da mulher se quebrara, lagrimas já insistiam em despencar-se rosto afora.
- Hm... - parou e respirou fortemente o medico, já sentindo a pesada atmosfera que envolvera todo o local - Serei sincero com a senhora, as chances são bem poucas, seria quase necessário um milagre para que ela sare e não tenha nenhuma seqüela. Como disse é nosso ultimo recurso. Desculpe.
Devagar, silenciosamente, a mulher acenou a cabeça em despedida ao medico, saiu pelos corredores silenciosamente até o banheiro, e chorou longas e pesadas lagrimas. Levantou séria, lavou o rosto tirando as marcas de sua tristeza, naquele momento precisava ser forte, talvez de uma forma que nunca tinha sido, de uma forma que apenas uma mãe poderia ser. Encarou-se firme no espelho e saiu.
(Continua...)
" as coisas mudam sempre, sem fim, mas a essência de tudo permanece imutável, sempre" talvez tudo realmente seja assim, e isso seja o destino, aquela parte da vida que por mais que tentemos mudar, por mais que nos esforcemos, por mais que coloquemos nossa força de vontade, por mais que repudiemos a situação, ela sempre permanece. Talvez a essência da linha da vida de cada um seja isso, aquilo que nunca muda, isso seria o destino. Será que realmente não tem como mudar? É realmente preciso apenas, aceitar...
Espero que todos estejam bem...
Saudades...
Beijos a todos e se cuidem!
Adoro todos
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